Me acostumei a me sentar numa mesa de restaurante durante uma refeição e olhar para a cadeira da frente vazia;
Me acostumei a dirigir e a ir para todos os lugares necessários com a companhia da solidão, que atualmente se tornou solitude;
Me acostumei a viver sozinha, sem os relacionamentos frágeis a dois que a vida nos traz e nos leva, assim, não existem decepções;
O próximo passo é superar a morte de uma pessoa querida e me acostumar que ela me deixou;
É entender que junto com ele, se foi ela também, que se encontra internada, devido a uma condição de saúde frágil;
É me acostumar a não ter mais pai no dia dos pais;
Visitar a mãe numa casa de repouso;
Não ter mais encontros familiares, nem um cafezinho;
É acostumar que a vida mudou, uma mudança imposta por conta de uma doença repentina que se instaurou no corpo do meu pai e o levou;
É me acostumar com aniversários solitários e sem presentes;
Natal e Ano Novo sozinha, com o meu gatinho;
Morrer sozinha, pois o Elvis irá antes.
É difícil pensar nisso sem sentir uma angústia e uma amargura.
Amigos? Existem, mas até quando?
As pessoas são passageiras;
Os fatos e eu também sou.
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