sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Me acostumei

Me acostumei a me sentar numa mesa de restaurante durante uma refeição e olhar para a cadeira da frente vazia;

Me acostumei a dirigir e a ir para todos os lugares necessários com a companhia da solidão, que atualmente se tornou solitude;

Me acostumei a viver sozinha, sem os relacionamentos frágeis a dois que a vida nos traz e nos leva, assim, não existem decepções;

O próximo passo é superar a morte de uma pessoa querida e me acostumar que ela me deixou;

É entender que junto com ele, se foi ela também, que se encontra internada, devido a uma condição de saúde frágil;

É me acostumar a não ter mais pai no dia dos pais; 

Visitar a mãe numa casa de repouso;

Não ter mais encontros familiares, nem um cafezinho;

É acostumar que a vida mudou, uma mudança imposta por conta de uma doença repentina que se instaurou no corpo do meu pai e o levou;

É me acostumar com aniversários solitários e sem presentes;

Natal e Ano Novo sozinha, com o meu gatinho;

Morrer sozinha, pois o Elvis irá antes. 

É difícil pensar nisso sem sentir uma angústia e uma amargura.

Amigos? Existem, mas até quando? 

As pessoas são passageiras;

Os fatos e eu também sou.



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 A questão não é se perguntar "por que fizeram isso comigo", mas sim pensar "Como farei para que isso não aconteça novamente?...