terça-feira, 19 de agosto de 2025

                  Tem horas que sinto tanta saudade, o vazio se torna tão imenso e intenso que tenho vontade de deixar de existir. A morte é a pior coisa que existe em nossa vida, pois ela aparece de forma repentina e leva as pessoas e os seres que nós amamos e não nos deixa nem a oportunidade de nos despedirmos deles. É Deus mostrando quem manda e que não somos nada nesse mundo. Nosso corpo será devorado pela terra um dia e nossos bens ficarão nos espaços onde vivíamos, que agora se tornam um grande vazio.

               A morte dói, o luto acho que será eterno. Sinto vontade de chorar pelo vazio que ficou, pois, apesar de nossa relação não ter sido boa em vida, você foi o meu pai e me amava de alguma forma. Ao menos, se minha mãe não tivesse problemas de saúde, se ela pudesse se locomover como todas podem e estivesse fora de uma casa de repouso, meu sofrimento talvez seria amenizado. 

               Infelizmente, carrego a triste sina de tudo isso ter acontecido, de minha mãe ter sido assim a vida toda, de nunca tê-la tido como uma pessoa comum, isso além de ter tido pais muito difíceis em temperamento, que valorizavam muito as coisas materiais e causavam tantas brigas que infernizavam a mente da gente, além de nos deixar em depressão.



sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Me acostumei

Me acostumei a me sentar numa mesa de restaurante durante uma refeição e olhar para a cadeira da frente vazia;

Me acostumei a dirigir e a ir para todos os lugares necessários com a companhia da solidão, que atualmente se tornou solitude;

Me acostumei a viver sozinha, sem os relacionamentos frágeis a dois que a vida nos traz e nos leva, assim, não existem decepções;

O próximo passo é superar a morte de uma pessoa querida e me acostumar que ela me deixou;

É entender que junto com ele, se foi ela também, que se encontra internada, devido a uma condição de saúde frágil;

É me acostumar a não ter mais pai no dia dos pais; 

Visitar a mãe numa casa de repouso;

Não ter mais encontros familiares, nem um cafezinho;

É acostumar que a vida mudou, uma mudança imposta por conta de uma doença repentina que se instaurou no corpo do meu pai e o levou;

É me acostumar com aniversários solitários e sem presentes;

Natal e Ano Novo sozinha, com o meu gatinho;

Morrer sozinha, pois o Elvis irá antes. 

É difícil pensar nisso sem sentir uma angústia e uma amargura.

Amigos? Existem, mas até quando? 

As pessoas são passageiras;

Os fatos e eu também sou.



 A questão não é se perguntar "por que fizeram isso comigo", mas sim pensar "Como farei para que isso não aconteça novamente?...