Não espere que a vida lhe traga o café na cama. Não moramos num conto de fadas. Quem não plantar o cafezal terá que se contentar com a borra do café alheio.
"Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome." (Clarice Lispector)
sábado, 2 de maio de 2020
quarta-feira, 29 de abril de 2020
Capítulo 03 - O rejeitado.
Lucas gostava cada vez mais de Maria Eduarda e pensava em se casar com ela. Porém, a convivência em casa estava cada vez pior, já que sua mãe implicava muito com ele. Ivone não podia ver Lucas: quando o rapaz saía do trabalho e vinha almoçar em casa, eram só brigas. O clima estava completamente infernal.
Maria Eduarda era a válvula de escape. O casal andava junto sempre, não parava em casa, e quando precisavam dormir na casa do outro, era Lucas que se locomovia até a residência da moça. Os pais dela gostavam muito dele, ele era muito querido, já que sempre foi um rapaz doce.
A cabeça a mil por hora: "Por que minha família é assim, meu Deus?" "Queria tanto que meus pais fossem bacanas como os dela" "Por que sou tão infeliz?" "Queria tanto mais amor" - estes eram os questionamentos que se passavam pela cabeça dele. Começou, vorazmente, a juntar dinheiro para se casar.
Maria Eduarda passou num concurso para trabalhar no Banco do Brasil. Por um lado, Lucas havia ficado muito feliz por ela, mas por outro, sentia-se mal e culpado por ainda ter um emprego ruim e por não ter conseguido passar na mesma prova. Continuava estudando e trabalhando. A família da moça tinha posses e comprou um apartamento para ambos. Eles mesmos começaram a mobiliar e deram de presente ao casal. Lucas ficou extremamente feliz. Hoje vejo que ele devia ter desconfiado, pois no futuro algo terrível aconteceria. "Cavalo dado não se olha os dentes", ele pensava. Mas, o que ele não sabia, é que quando a esmola é demais, o santo desconfia. Ele não desconfiou.
Roberto havia sumido e Ivone abriu mão de Lucas. Não estava nem aí para o rapaz. O filho "da vez" era Rodolfo. Lucas chorava muito durante as noites por conta disso. Começou a emagrecer muito e sofria cada vez mais com as dores de estômago. A depressão estava no extremo. Desenvolveu bruxismo. Com 21 anos, tinha um monte de problemas de saúde.
Por conta desta família caótica, adotou a de Maria Eduarda como sua e fazia tudo por eles. Ele realmente os amava. Aos 22 anos se casou e saiu de casa. Trocava sempre de emprego, pois nunca se acertava com eles. Odiava o telemarketing, mas como era a única coisa que tinha experiência, era o trabalho que arranjava.
Depois que saiu de casa, não ligava mais para ninguém. Decidiu realmente se afastar de todos que haviam feito tanto mal a ele.
quarta-feira, 22 de abril de 2020
Capítulo 2: Os opostos se repelem
A infância nunca foi fácil. Lucas é o filho mais velho e quando nasceu era um bebê bonito e feliz, até chegar o seu irmão Rodolfo e modificar toda a rotina da casa. Os dois são completamente opostos: um é estudioso, responsável e batalhador; o outro é acomodado, folgado e aproveitador. O bom-caráter e o mau-caráter; o solidário e o egoísta; o preto e o branco; opostos.
Lucas sempre foi muito bem na escola, tinha notas boas, logo se via que ele seria um adulto bem-sucedido. Já Rodolfo repetia de ano, não estudava e sempre dava problemas. Os pais eram sempre chamados pela diretora, até que um dia seu pai, Roberto, decidiu colocá-lo numa escola pública e abdicar do filho. Foi o jeito que ele encontrou de se "livrar" do problema. Lucas continuou na escola particular até chegar na oitava série, quando Roberto não pôde mais pagar a mensalidade e decidiu colocá-lo no mesmo lugar onde Rodolfo estudava.
Rodolfo: o filho indesejado e que veio sem querer a este mundo. Tudo porque Ivone não havia se prevenido e acabou grávida. Roberto não havia aceitado a gravidez: gritou, esbravejou e deixou a mulher, que sofria de uma paralisia infantil na perna esquerda, ir e voltar sozinha do trabalho durante muito tempo, até que um dia, com aquela imensa barriga, caísse no meio da rua e precisasse de ajuda de estranhos para se levantar. Ela havia chegado chorando em casa.
Joana, irmã de Roberto, achou o acontecimento um absurdo e deu um sermão no irmão. A partir dali, ele começou a aceitar a ideia em ter o segundo filho e passou a levar Ivone ao trabalho. Rodolfo nasceu: não era uma criança bonita e chorava muito. Esse choro foi levado até os 12 anos de idade. Chorava, de manha, durante horas e perturbava a cabeça de todos que viviam dentro da casa, o que fazia Roberto perder a cabeça e bater muito nele. Lucas assistia a tudo isso e ficava extremamente deprimido.
A adolescência foi terrível. Lucas era retraído e sofria muito bullying na escola e isso só foi melhorar no ensino médio. Rodolfo estava cada vez mais egoísta. Roberto havia presenteado os irmãos com uma Mobilete. Rodolfo montava nela e sumia. Lucas andava a pé e ficava extremamente frustrado. Os pais não chamavam a atenção do irmão pelas coisas erradas que fazia.
Conforme iam crescendo, iam ficando cada vez mais distantes. Os opostos nunca se atraem, mas se repelem. Roberto arrumou outra mulher e traiu Ivone, o que fez com que ela ficasse muito deprimida e começasse a descontar toda a sua frustração em Lucas, que tinha apenas 18 anos. A Rodolfo, que tinha 16, ela dava o carro e ficava andando pela cidade com o filho, mesmo sem carta de motorista. Lucas tinha carta, mas não podia encostar no carro. Mais uma vez, andava a pé.
O ambiente era infernal: eram muitas brigas em casa e Lucas sentia muita dor de estômago, ia para o hospital várias vezes. Foi nessa época que arrumou um emprego de telemarketing numa fábrica de óculos e que passou no vestibular de matemática. A vida começava a andar, mesmo que o emprego fosse horrível, os colegas de trabalho cruéis e o salário curto. Porém, com aquele dinheiro ele conseguia se bancar e seguir em frente. Conheceu uma moça pela internet: Maria Eduarda, e ambos começaram a namorar.
segunda-feira, 20 de abril de 2020
Novela - REALIDADE - Capítulo 01
Era uma manhã de Janeiro e os nervos ainda estavam a flor da pele. Muitas preocupações brotavam na cabeça e o último dia de trabalho antes de entrar em férias não fora dos melhores, afinal, seu chefe havia feito daquele ano um inferno e o último dia de trabalho teve muita roupa suja sendo lavada. A cabeça estava a mil por hora e a depressão pegando muito forte. A sorte é que conseguira trocar de emprego e que a partir de Fevereiro começaria um novo trabalho em um ambiente totalmente diferente e longe de pessoas intragáveis.
Não conseguia relaxar. Convivia com a família, que não era das melhores. Junto com essa convivência nefasta, havia o barulho absurdamente irritante de uma obra que se instalou ao lado de sua casa. O barulho da britadeira fritava o cérebro e bagunçava os pensamentos. Não conseguia dormir até um pouco mais tarde em nenhum dia, pois às 7:30 da manhã, imprescindivelmente, as marretadas começavam. Como se não bastasse, vizinhos que gostavam de dar festas a noite se mudaram para a casa ao lado da dele e não o deixavam dormir. De dia, era a obra, a noite, eram as festas incessantes, que iam até o começo da manhã.
PA PUM PA PA PA PA PUM PUM PA ! CABUM !
O que é mais barulhento? Uma britadeira ou um avião?
PAAAAAA (estrondo) - porta batendo
Gritos, brigas, discussões.
Música alta, gente falando alto. RISADAS, GARGALHADAS.
Loucura, desespero, vontade de morrer.
Nervosismo, falta de vontade de sair da cama, mesmo com o barulho. Toda essa falta de paz, associada com a sua família composta por pessoas difíceis o deixavam louco. Assim era a vida e o cotidiano de Lucas, professor de matemática, formado pela UNESP Bauru e músico nas horas vagas. Tocava baixo e fazia isso com muita habilidade. Estudava o instrumento há anos, sempre correndo atrás de aulas e trabalhos com bandas. Queria mostrar o seu trabalho e o seu esforço, porém, a família não o valorizava. Isso o deixava extremamente deprimido.
Além do fator depressão, o restante de sua saúde não estava muito boa. A pele de seu rosto estava marcada por conta de um tratamento que estava fazendo com o dermatologista e que não havia dado certo. Estava gastando rios de dinheiro tentando resolver o problema, que não ia embora. Aquelas marcas o incomodavam muito e acabavam com a sua autoestima.
Na mesma época, descobriu que tinha uma disfunção sexual e que precisava fazer um tratamento muito sério para melhorar as dores. Esse era o motivo de sua solidão. Lucas evitava sair com as garotas por conta desse problema. Sentia-se muito solitário, mas sabia que não tinha como entrar em um relacionamento dessa forma. Precisava resolver aquilo e estava tomando as devidas providências. Porém, tinha que esperar.
O que restava era se trancar em seu quarto, único cômodo da casa que o pertencia, apesar de todo o inferno que vivia. Tocava baixo o dia todo e dormia. Era essa a sua rotina de fuga da realidade.
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Você vai aguentando desaforo, até que algo mais forte acontece em seu trabalho e realmente te tira do sério, te levando ao surto. Aí, você ...
