segunda-feira, 20 de abril de 2020

Novela - REALIDADE - Capítulo 01

Era uma manhã de Janeiro e os nervos ainda estavam a flor da pele. Muitas preocupações brotavam na cabeça e o último dia de trabalho antes de entrar em férias não fora dos melhores, afinal, seu chefe havia feito daquele ano um inferno e o último dia de trabalho teve muita roupa suja sendo lavada. A cabeça estava a mil por hora e a depressão pegando muito forte. A sorte é que conseguira trocar de emprego e que a partir de Fevereiro começaria um novo trabalho em um ambiente totalmente diferente e longe de pessoas intragáveis. 

Não conseguia relaxar. Convivia com a família, que não era das melhores. Junto com essa convivência nefasta, havia o barulho absurdamente irritante de uma obra que se instalou ao lado de sua casa. O barulho da britadeira fritava o cérebro e bagunçava os pensamentos. Não conseguia dormir até um pouco mais tarde em nenhum dia, pois às 7:30 da manhã, imprescindivelmente, as marretadas começavam. Como se não bastasse, vizinhos que gostavam de dar festas a noite se mudaram para a casa ao lado da dele e não o deixavam dormir. De dia, era a obra, a noite, eram as festas incessantes, que iam até o começo da manhã. 

PA PUM PA PA PA PA PUM PUM PA !   CABUM !  

O que é mais barulhento? Uma britadeira ou um avião? 

PAAAAAA  (estrondo) - porta batendo 

Gritos, brigas, discussões. 

Música alta, gente falando alto. RISADAS, GARGALHADAS.

Loucura, desespero, vontade de morrer. 

Nervosismo, falta de vontade de sair da cama, mesmo com o barulho. Toda essa falta de paz, associada com a sua família composta por pessoas difíceis o deixavam louco. Assim era a vida e o cotidiano de Lucas, professor de matemática, formado pela UNESP Bauru e músico nas horas vagas. Tocava baixo e fazia isso com muita habilidade. Estudava o instrumento há anos, sempre correndo atrás de aulas e trabalhos com bandas.  Queria mostrar o seu trabalho e o seu esforço, porém, a família não o valorizava. Isso o deixava extremamente deprimido. 

Além do fator depressão, o restante de sua saúde não estava muito boa. A pele de seu rosto estava marcada por conta de um tratamento que estava fazendo com o dermatologista e que não havia dado certo. Estava gastando rios de dinheiro tentando resolver o problema, que não ia embora. Aquelas marcas o incomodavam muito e acabavam com a sua autoestima.

Na mesma época, descobriu que tinha uma disfunção sexual e que precisava fazer um tratamento muito sério para melhorar as dores. Esse era o motivo de sua solidão. Lucas evitava sair com as garotas por conta desse problema. Sentia-se muito solitário, mas sabia que não tinha como entrar em um relacionamento dessa forma. Precisava resolver aquilo e estava tomando as devidas providências. Porém, tinha que esperar. 

O que restava era se trancar em seu quarto, único cômodo da casa que o pertencia, apesar de todo o inferno que vivia. Tocava baixo o dia todo e dormia. Era essa a sua rotina de fuga da realidade. 


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 A questão não é se perguntar "por que fizeram isso comigo", mas sim pensar "Como farei para que isso não aconteça novamente?...