Lucas gostava cada vez mais de Maria Eduarda e pensava em se casar com ela. Porém, a convivência em casa estava cada vez pior, já que sua mãe implicava muito com ele. Ivone não podia ver Lucas: quando o rapaz saía do trabalho e vinha almoçar em casa, eram só brigas. O clima estava completamente infernal.
Maria Eduarda era a válvula de escape. O casal andava junto sempre, não parava em casa, e quando precisavam dormir na casa do outro, era Lucas que se locomovia até a residência da moça. Os pais dela gostavam muito dele, ele era muito querido, já que sempre foi um rapaz doce.
A cabeça a mil por hora: "Por que minha família é assim, meu Deus?" "Queria tanto que meus pais fossem bacanas como os dela" "Por que sou tão infeliz?" "Queria tanto mais amor" - estes eram os questionamentos que se passavam pela cabeça dele. Começou, vorazmente, a juntar dinheiro para se casar.
Maria Eduarda passou num concurso para trabalhar no Banco do Brasil. Por um lado, Lucas havia ficado muito feliz por ela, mas por outro, sentia-se mal e culpado por ainda ter um emprego ruim e por não ter conseguido passar na mesma prova. Continuava estudando e trabalhando. A família da moça tinha posses e comprou um apartamento para ambos. Eles mesmos começaram a mobiliar e deram de presente ao casal. Lucas ficou extremamente feliz. Hoje vejo que ele devia ter desconfiado, pois no futuro algo terrível aconteceria. "Cavalo dado não se olha os dentes", ele pensava. Mas, o que ele não sabia, é que quando a esmola é demais, o santo desconfia. Ele não desconfiou.
Roberto havia sumido e Ivone abriu mão de Lucas. Não estava nem aí para o rapaz. O filho "da vez" era Rodolfo. Lucas chorava muito durante as noites por conta disso. Começou a emagrecer muito e sofria cada vez mais com as dores de estômago. A depressão estava no extremo. Desenvolveu bruxismo. Com 21 anos, tinha um monte de problemas de saúde.
Por conta desta família caótica, adotou a de Maria Eduarda como sua e fazia tudo por eles. Ele realmente os amava. Aos 22 anos se casou e saiu de casa. Trocava sempre de emprego, pois nunca se acertava com eles. Odiava o telemarketing, mas como era a única coisa que tinha experiência, era o trabalho que arranjava.
Depois que saiu de casa, não ligava mais para ninguém. Decidiu realmente se afastar de todos que haviam feito tanto mal a ele.
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