A maldade é inerente à natureza do ser humano e é nas piores horas de sua vida que ela emerge até a superfície. Não conhecemos ninguém a fundo, a não ser que algo muito ruim te aconteça, pois são nestes momentos que a pessoa vai mostrar o seu lado ruim ou bom.
Depois que meu pai faleceu, passei a enxergar a vida de uma forma muito diferente. Não somos absolutamente nada neste universo imenso. Coisas materiais existem? Precisamos delas? Sim, precisamos, obviamente. Porém, não podemos fazer delas o epicentro de nossas vidas, ou seja, atropelar pessoas, vidas, sentimentos para tê-las.
Empatia, a capacidade de se colocar no lugar do outro, de sentir o outro. Isso falta muito. Em momentos de vulnerabilidade, como esse da morte de meu pai, algo que causou imensa dor em meu coração, há pessoas completamente insensíveis à situação e tentam se aproveitar de todo o contexto. Nem preciso dizer que isso traz muito sofrimento.
Tentar tirar proveito de uma pessoa que tem limitação física, dores crônicas, idade e que está emocionalmente fragilizada pela morte do marido foi a coisa mais terrível que vi e vivenciei. Virar os filhos contra a própria mãe e vice versa, causar mais dores numa família já constituída de relações enfraquecidas, fingir-se boazinha e preocupada com o objetivo de roubar bens materiais foi a coisa mais escrota que já senti nessa vida. É enojante saber que existem pessoas que se rebaixam a esse nível.
Há falta de empatia também em brincadeiras daquele tipo que um lado só ri, ainda mais num momento como esse. Fazem apenas 9 meses que meu pai se foi. A sensação de vazio ainda é enorme, a vida NUNCA mais vai ser como era. Fazer piadas que te machucam num momento assim é tão doloroso que nem tenho palavras para expressar a angústia e a tristeza que já senti. Estou vivendo momentos de mudanças avassaladoras, estou sensível e muitas pessoas não têm compaixão, nem mesmo alguns que se diziam "amigos".
Acho que já passei do estágio da decepção e a palavra que mais faz sentido para mim no momento é a apatia. Sim, estou apática diante de muitos fatos: desde o (ex) namorado que some do nada e retorna depois de meses querendo reatar (e a resposta claramente é não) até o "amigo" que discute com você e decide sumir da sua vida para sempre, ou daquele que faz terror psicológico com brincadeiras extremamente desagradáveis que te fazem sofrer. Um namorado que gosta de você não vai sumir do nada; um amigo de verdade não vai desaparecer e te excluir; tampouco vai ficar zombando de você nos momentos de dor.
Apatia seria o calejamento dos sentimentos ruins na sua alma? Seria uma forma de mascarar a dor? Sinto-me insensível, muitas vezes, sem vontade de chorar diante de situações que no passado faziam com que eu derramasse lágrimas.
Desejo ficar na minha, me trancar no meu mundo, não sei se voltarei a ser a pessoa que eu era antes; não sei se voltarei a tocar e a gostar de música o tanto que já gostei, pois me sufocaram tanto ao longo dos anos que sinto apatia diante disso também; não sei se abrirei a mente para novos relacionamentos, não faço ideia; só sei que quero minha saúde intacta e desejo que isso se realize, que na próxima postagem eu consiga falar com alívio a respeito disso.
Sei também que o ser humano é mau e que ele é capaz de passar por cima de tudo para exaltar os desejos maléficos e materiais que ele tem, como desrespeitar, desmoralizar, destruir, machucar e até mesmo ceifar uma vida. A única coisa que tenho certeza diante dessa vida é a de que eu não quero fazer parte desse time do mal.
Isso nunca.
Um viva aos animais: são as criaturas mais evoluídas do mundo e nós, seres humanos, que precisamos chegar ao grau de evolução deles, nunca o contrário.