segunda-feira, 4 de abril de 2016

Direitos

Ser professor não é somente se ferrar, aguentar desacato, ameaça, calúnia e humilhação de aluno. Essas coisas acontecem porque os valores estão invertidos e nossa sociedade (a brasileira, pelo menos) prefere passar a mão na cabeça de vagabundo do que preservar os funcionários e colegas de trabalho que passam o ano letivo trabalhando e dando duro. 

O pior de tudo são os colegas desunidos, que acham que nada é com eles, já que a situação não aconteceu diretamente com eles. É revoltante ver um colega se virar contra o grupo, quando todos dizem que um aluno é difícil nas aulas e somente na aula dele que esse indivíduo é "bonzinho". 

Aguentei humilhação, desacato, ameaças, calúnias. Fiquei muitas noites sem dormir e ao tentar resolver o problema, escuto da direção da escola que estou "exagerando". Isso até procurar os meus direitos fora da escola, com um advogado trabalhista, que me informou de tudo. Ao encurralar a escola, coordenador perdeu a compostura, levantando a voz com quase todo o corpo docente (com exceção dos desunidos). Foi horrível, porque além do professor se sentir largado e ameaçado, ainda recebe grito de "superior".

Por um lado foi bom ter acontecido tudo isso, para que a escola perceba que o professor tem muitos direitos, que ele deve ser valorizado e que não é assim: aluno apronta e apronta, faz o que quer e as coisas ficam por isso mesmo. Enfrentei o problema de frente, tive muita coragem para isso. Mas, sinceramente, estou decepcionada. Quando resolvi ser professora, jamais imaginei que coordenador, diretor e vice gritariam comigo quando na verdade, elas deviam me apoiar. E isso já aconteceu outras vezes. 

Em vista de tudo isso, me pergunto: dá para levar a educação a sério? E a resposta é: claro que não !! Por que eu deveria executar meu trabalho muito bem se ninguém se preocupa comigo, com meu bem estar? Se na verdade, sou apenas um peão que está na linha de frente? Um peão que pode até levar um tiro, uma facada, uma porrada, uma livrada, que ninguém realmente se importa? 

Em vista disso, repito algumas palavras que já foram ditas por aqui: vou mudar de área. Para Deus, nada é impossível e tenho fé, muita fé, que daqui a pouco tempo lembrarei de tudo isso e direi: ufa, já passou. Minha expressão será de alívio. 




 A questão não é se perguntar "por que fizeram isso comigo", mas sim pensar "Como farei para que isso não aconteça novamente?...