Era um apartamento pequeno, jeitoso, pelo que me lembro, um dormitório no máximo. A sala não era convencional, pois em vez de uma mesa de jantar, havia amplificadores, uma mesa de computador, um pequeno armário onde guardava meus instrumentos. Havia também um rack que continha um aparelho de som moderno, mas também havia uma vitrola bem antiga. Os Lps estavam guardados dentro de um gavetão, por ordem alfabética. Havia uma TV smart e um sofá de 3 lugares muito confortável. A porta da varanda estava aberta e entrava um vento fresco muito gostoso...
A cozinha era convenciona: tinha fogão, geladeira, uma mesa pequena, forno micro-ondas, armários, gabinete. Na lavanderia havia varais e uma máquina de lavar roupas. O quarto era pequeno, mas cabia uma cama de casal. Tinha um guarda-roupas onde além de guardas as vestimentas, guardava meus livros também. Havia uma TV na parede e um notebook em cima de uma mesinha. O banheiro era bem pequenininho e nele havia um jogo de toalhas brancas com a palavra PAZ bordada em preto. A tão sonhada vaga de garagem estava lá... Cobertinha e livre, sem precisar alugar, sem depender de ninguém.
Estava tudo maravilhoso, até que eu despertei, dentro do meu quarto apertado, cheio de coisas que trouxe de um apartamento em que perdi para a pessoa que na época era a que mais amava em minha vida e que me decepcionou grandiosamente. É um passado que gostaria de esquecer para sempre, mas, infelizmente, ele sempre volta para me aterrorizar , me assombrar. Como superar esse passado? Talvez conquistando o que tanto quero conquistar, com toda minha força, meu esforço, minha dedicação e provar para eu mesma e para aquele imbecil (mesmo que ele não veja isso) que sou lutadora e muito capaz de comprar as coisas por mim mesma, sem precisar de ninguém para me dar, como é o caso dele. Um amigo meu me disse nessa semana: você acha que ele é homem? Homem que coloca a mulher para fora de casa e tira tudo que ela tem de uma hora para a outra porque ele decidiu que quer seguir sozinho?
Tem hora que tudo isso vem à minha mente. Parece que sinto novamente toda aquela humilhação pela qual passei mediante a família dele, a minha por ter que voltar para casa de minha mãe com uma mão na frente e outra atrás, por não conseguir olhar para meus pais, amigos... Me sentia o maior fracasso do mundo. Fora a humilhação que ele me fez passar, me dizendo que a família dele tinha posses e eu não tinha absolutamente nada...
Porém, hoje em dia, vejo que me separar dele foi a melhor coisa que poderia ter me acontecido, pois eu sou uma pessoa muito melhor do que ele... Não sou arrogante, não quero pisar em ninguém, não pretendo ter o maior luxo e as melhores coisas que o dinheiro possa comprar, e sabe por quê? Porque, sinceramente, não me importo com bens materiais, afinal, estamos nessa vida de passagem e nada mais. Coisas materiais nos servem enquanto estamos vivos, mas isso é absolutamente passageiro. Luto pelo básico, apenas. A única coisa que me falta para que eu seja completa é isso: meu apartamento.
E quanto a relacionamentos? "A mãezinha" dele disse assim para mim quando o otário do filho dela me aprontou toda aquela infelicidade para cima de mim: "Coitadinho, ele ficou traumatizado." Ele ficou tão traumatizado que após um ano de separação se casou com outra que o fez de otário e já deu um jeito de arrumar filhos para ele sustentar. E eu aqui ? Nunca consegui ter um relacionamento decente por medo de achar outro filho da puta como ele, que me faça sofrer e que me cause uma decepção que chegue ao ponto de me derrubar no fundo de um poço e me afundar numa depressão que não tem fim. Saí dessa doença por muita força de vontade e só tive apoio de um único amigo que me ajudou, pois o restante foi muito duro comigo. Ninguém queria saber como eu me sentia. O ser humano é assim: se não é comigo, que se foda !!
Ainda hoje em dia, tenho tanta vontade de falar para essa gente como me sinto, pois eles nunca me ouviram e abafaram meus gritos de desespero e pânico, sufocando minhas lágrimas. Imagina você amar uma família, tratá-la como se fosse sua. Aí, de um dia para o outro, o cara resolve terminar um casamento de 5 anos, uma relação de dez anos porque ele simplesmente diz que ele não viveu o suficiente quando era solteiro, pois não aproveitou bem a vida dele por causa de mim, que estava com ele... Aí a família toda apoia a atitude de criança desse desgraçado e te exclui da vida deles deletando redes sociais, mudando números de telefone, colocando advogado para tratar de assuntos que eles mesmos poderiam ajudar para não ver mais a sua cara... Meu Deus... Eu não me conformo com isso e quando penso nessas coisas, minhas lágrimas se esvaem. Se passaram 6 anos depois de todo esse sofrimento horrível e mesmo assim, essa maldita ferida não cicatriza, ela está sempre aberta e me matando aos poucos.
Meu Deus, o que eu fiz com a minha vida? Por que eu casei com esse lixo de pessoa? Será que eu consigo ficar com mais alguém? Tá tão difícil... Casei com um homem que representa a escória da raça humana. Um lixo de pessoa, que se camuflou atrás do rosto de um rapaz com um sorriso bonito, que dizia que queria me proteger, me amar... Como pode ele ter feito tudo o que fez pra mim? Será que mesmo atualmente, com a nova família dele, ele consegue dormir sem peso na consciência, sem ressentimento? Que monstro é esse?
You've got to believe
Things that you can not see
You've got to believe
One day you must pay your fee
If you think it's just a miracle
I've nothing else to say
You choose the way
You've got to believe
Dreams you should care and feed
You've got to believe
I can walk over the sea
If you think it's just a miracle
I've nothing else to say
Love it's not just a miracle
You must understand
You choose the end