Era 2011, um ano havia se passado após o traumático divórcio e toda a humilhação pela qual havia passado. Não tinha me recuperado e minha cabeça estava a mil por hora. A dor da rejeição ainda era imensa, a tristeza por ter voltado para a casa de meus pais era imensurável. Tinha perdido minha casa, minha vida e até mesmo a minha liberdade. Era difícil ter que viver debaixo do teto dos pais, seguindo os padrões deles e ainda aguentando o meu irmão com a idiota da mulher dele. Isso tudo sem contar que não podia sair para lugar algum que meu pai ficava na minha cola, me ligando sem parar. Tudo havia desabado, não desejava estar viva.
Diante dessa situação, me agarrei à música, mais especificamente, à guitarra. Comecei a estudar freneticamente quando tinha tempo, mas na época não era muito boa nisso e muitas vezes necessitava de ajuda, então, eu procurava os "amigos". O TS era meu professor e me apeguei muito aos ensinamentos dele. Ele tem um primo, que trabalhava na escola. De início, ele se aproximou de mim e achei que fosse virar mais um amigo, assim como o T era. Porém, como me enganei e a porrada foi quase nocauteante.
Nessa época, entrei em bandas e formei algumas. Numa dessas, a cantora saiu e, como o LS estava estudando canto, o convidei para ser o novo vocalista. Ele tocava guitarra e assumiu as duas funções. Eu havia ficado feliz, pois achei que um amigo tinha entrado na banda e que isso seria legal, me faria bem.
Porém, todo o conhecimento adquirido por ele tinha subido à cabeça. Ele se achava e, como mencionei anteriormente, na época não tinha o conhecimento que tenho hoje e tinham muitas lacunas na minha cabeça. Inclusive, alguns conteúdos não entravam na minha mente. Hoje entram, graças a Deus.
O LS começou com brincadeiras humilhantes na frente do TS (que nunca fez nada para impedi-las) e da banda. Era ultrajante. Eram aqueles tipos de brincadeiras que quem as recebia não ria junto com quem tinha feito. Tudo isso somado ao que havia passado me detonou e minha depressão subiu ao extremo. Não conseguia me defender, quando ele as fazia, ficava imóvel, sem reação, com vontade de chorar. Era nesses momentos que ele fazia ainda pior, intensificando tudo. Chegava em casa e caia na tristeza e no choro.
Mesmo assim, mergulhava na guitarra. Tentava estudar o que podia, mesmo com o LS me humilhando nas audições, ensaios para prática em banda, ensaios com a própria banda e fazendo a cabeça do TS para que ele me demitisse da escola e ficasse sem alunos, para que eu me afundasse ainda mais. Um dia descobri isso através de um facebook aberto e esquecido. Aquilo me desestruturou. Ele me tratava como uma pessoa burra, desprovida de inteligência e ainda preguiçosa, como se eu não me preocupasse em pesquisar conteúdos para as aulas e cara, não era nada disso, eu só não estava bem, era uma fase terrível e eu não tive sorte de passar por ela bem.
Tinha muita curiosidade de aprender, mas também tinha muitas limitações. Perguntava as coisas a ele, que tinha o prazer de me negar o conhecimento. Uma vez, me mandou largar o que eu fazia para "fazer bolo". Não entendo o porquê de ter passado por isso. Hoje em dia, às pessoas que me perguntam sobre música tenho o maior prazer de responder e ajudar. Procuro não repetir as coisas ruins pelas quais passei porque são péssimas e não desejo isso a ninguém.
Em 2020 o LS saiu da escola e posso dizer que a pandemia serviu para alguma coisa, nunca mais o vi pessoalmente. Ele é uma dessas pessoas que desejo nunca mais ver na minha frente nessa vida devido a tantos danos que me causou emocionalmente e psicologicamente. Foi um abuso, uma covardia.
Gostaria de ver se fosse hoje em dia, que estou mais forte e mudei meu modo de ver as coisas. Daria respostas duras e talvez, até o agredisse. Mas esse tipo de pessoa faz isso com aqueles que se sentem vulneráveis e era isso que eu passava naquela época.
Ainda bem que passou, hoje estou melhor. Porém, por isso para fora é ótimo. Quero jogar essa raiva no lixo e esse desabafo ajuda. Chega de remoer. FIM.
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