terça-feira, 3 de junho de 2025

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         Me perdoa. Eu sei que existem pessoas que sofrem com doenças físicas, pobreza, miséria e outros tipos de dores que se diferem das minhas. Sim, eu sei de tudo isso. Entretanto, me sinto assim: triste, deprimida, ferida, ausente do mundo, lerda perante os acontecimentos e sem vontade de fazer as tarefas as quais necessito. 

            A vida tem sido assim: sem sentido. Dizem-me que estamos aqui para evoluir, crescer espiritualmente. Mesmo diante desses argumentos, ainda me sinto vazia e sem o mínimo prazer de existir num mundo onde hoje estou aqui, mas amanhã posso não estar; hoje meu apartamento é minha casa, porém, na minha ausência, é apenas um espaço vazio, com objetos inúteis (outrora tiveram significado) que serão doados ou vendidos.

           O quarto de meu pai virou um depósito de coisas sem sentido após a morte dele: roupas as quais ele nunca havia usado (e as velhas surradas, eram as que ele mais utilizava); objetos, ferramentas, calçados, coisas que foram doadas. O quartinho dele, aquele lugar que tinha o cheiro dele, os objetos os quais ele guardava com tanto carinho, a coleção de relógios sem bateria, tudo aquilo virou lixo. E eu me senti um nada.

        Eu sou um nada. Um mero pedaço de carne ambulante, que respira, trabalha e estuda obsessivamente. Qual o objetivo disso, se logo mais ou logo menos estarei debaixo da terra, dentro de uma caixa de madeira? Para que viver, se posso perder quem eu amo repentinamente, sem me despedir e depois viver numa angústia terrível nesse mundo cão?

        Que porra de mundo é esse, onde tudo é caro e as pessoas sofrem por isso; se matam de trabalhar para ganhar números nas contas bancárias que compram objetos materiais, os quais ficam nesse plano junto com o seu corpo quando você se vai; que se mata de malhar para cultuar o corpo perfeito, que será devorado em breve pelos vermes debaixo da terra; que é arrogante, maldoso, egoísta e trata o outro como lixo, sem pensar que também vai para o fundo de uma vala.

        Eu, sinceramente, não consigo entender e tenho vivido esses meus dias com muita angústia, desprazer e apatia. 

        Acho que não é para entender. Sigo vivendo, mas sem prazer nenhum, até a vida me surrar novamente e levar mais alguém ou algo que eu amo sem me dar chance de me despedir; ou, levar alguém vivo para longe porque me decepcionou. 

Prazer zero; 

Vazio - 10.



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 A questão não é se perguntar "por que fizeram isso comigo", mas sim pensar "Como farei para que isso não aconteça novamente?...