A pior parte da vida é a morte. É enterrar o seu ente querido, ir para casa com uma sensação gigantesca de vazio. Uma parte da sua alma, de você, se foi. O dia vira, mas a vida continua. Essa é a parte mais difícil, pois tudo continua como se nada tivesse acontecido: amanhece, as pessoas estão nas suas rotinas cotidianas, você respirando, trabalhando, com sofrimento, mas parece que tudo permanece igual, porém, nunca mais será a mesma coisa.
A angústia e as lágrimas tomam conta do seu coração. Não há mais paz, você tenta dormir, mas não obtém êxito, não ao menos sem um remédio. O que antes era prazer, perdeu a graça. Você acorda nas manhãs, olha para o teto e pensa: putz, acordei com aquela sensação de novo, sem vontade de seguir em frente, com tudo completamente sem graça, sem cor.
Quando somos jovens, nos sentimos fortes, vivemos os dias como se fôssemos imortais. Quando chegamos nos quarenta, nossos pais estão idosos e a vida nos traz a morte, para nos mostrar que não somos nada perante a existência de Deus. Somos frágeis, como papel. Aí, caímos na real: para quê tanto estresse, nervosismo, brigas, quanta estupidez. Não somos nada perante o universo.
Cada um tem o seu jeito de lidar com isso. Eu me afastei de algumas pessoas próximas, emagreci muito, os estudos na música caíram, a academia parou. E ainda tem gente que tem coragem de me dizer que não estou nem aí para nada. Porém, sinceramente, quem está debaixo de minha própria pele sou eu, e sei o que sinto no dia a dia.
Pai, há quatro meses você se foi. Visitei seu corpo no cemitério, mas sei que você não está mais lá. Porém, sinto que você está em paz. Sinto sua falta. Obrigada por ter deixado o Elvis comigo. Te amo pai, aonde quer que você esteja.

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